quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Literatura: O Arcadismo

Em Portugal, a fundação da Arcádia Lusitana (1756) tem sido considerada como marco inicial da estética árcade, que conheceria seu termo em 1825. O Arcadismo brasileiro inicia-se em 1768, com a publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa, e vai até 1836, quando Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães, inaugura o Romantismo no Brasil.
Movimento literário exclusivamente poético, o Arcadismo coincide, no Brasil, com os ideais da Inconfidência Mineira. Estética de repúdio aos exageros do Barroco, o Arcadismo preconizava a revalorização dos modelos clássicos e renascentistas.
Arte movida pela simplicidade, pela preferência do campo à cidade, pela singeleza, o Arcadismo nos legou a segunda obra mais lida em língua portuguesa no mundo: Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Literatura: O Barroco - Literatura Informativa e Obras de Oratória

Além de poesia, o Barroco brasileiro legou-nos também uma vasta literatura informativa e obras de oratória.
Na oratória, o grande nome é mesmo o de Antônio Vieira. Padre Vieira nasceu em Portugal, mas viveu uma vida dividida entre a Metrópole e o Brasil. Escreveu Sermões (15 volumes), quinhentas cartas, História do Futuro, Esperança de Portugal e Clavis Prophetarum, esta última inédita e perdida.
Dentre os Sermões de Vieira destacam-se o "Sermão Pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as de Holanda" e "Sermão da Sexagésima".

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Literatura: O Barroco - A Obra de Gregório de Matos

O principal nome da poesia barroca brasileira foi Gregório de Matos Guerra.
Gregório de Matos, conhecido também como "Boca do Inferno", foi exclusivamente poeta. Em vida, publicou apenas alguns poemas. Somente muito recentemente sua produção foi reunida em uma coletânea composta de seis volumes, sob o título Obras.
Gregório de Matos escreveu poesia lírico-amorosa, lírico-sacra, satírica e encomiástica.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Literatura: O Barroco - A Poesia Barroca

A poesia barroca aconteceu em três momentos:

a) Ocupou a primeira metade do século XVII e caracterizou-se pela influência de Camões e de escritores castelhanos. Destaca-se Bento Teixeira Pinto.

b) Ocupou a segunda metade do século XVII e caracterizou-se pelo surgimento de uma poesia de traços mais brasileiros. Nessa época destacam-se os seguintes nomes: Gregório de Matos Guerra, Eusébio de Matos, Domingos Caldas Barbosa e Bernardo Vieira Ravasco.

c) Nesta fase, ocorreu o exagero do Barroco e surgiram as academias literárias. Período marcado por Manuel Botelho de Oliveira e pelo frei Manuel de Santa Maria Itaparica.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Literatura: O Barroco - Principais Características Barrocas

Em Portugal, o Barroco estende-se de 1580 a 1756. Já no Brasil seu início data de 1601, com a publicação do poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira. Perdura até 1768, com o surgimento do Arcadismo (inaugurado por Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa).

Principais Características Barrocas

a. Consciência da brevidade da existência humana, gerando angústia;
b. Consciência da fragilidade da condição humana;
c. Busca da fé e da religião como forma de consolo;
d. Sentimentos contraditórios e incertos;
e. Preocupação com a morte.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Literatura: Origens e Formação da Literatura Brasileira

Em 1500, quando os portugueses chegaram ao Brasil, chegou também a arte literária. A Carta de Achamento do Brasil, escrita por Pêro Vaz de Caminha, inaugurou a literatura escrita em solo brasileiro. A esse período tem-se chamado época de formação e origens, que se insere entre 1500 e 1601, quando Bento Teixeira publica sua Prosopopeia, inaugurando o Barroco no Brasil.

Durante esse século inicial, toda a produção literária feita em solo brasileiro foi assinalada por uma permanência nítida de traços medievais, em mistura a certos preceitos renascentistas. Tal produção serviu principalmente aos propósitos jesuíticos e catequéticos, e também à informação sobre a nova terra descoberta. A intenção doutrinária e pedagógica prevaleceu, então, sobre a preocupação estética ou artística, salvo raras exceções.

Principais Autores e Obras Desse Período:

 
1. Pêro Vaz de Caminha escreveu a Carta de Achamento do Brasil, datada de 1º de maio de 1500. Tal Carta ficou inédita até o ano de 1817. Escrita em 27 folhas, em estrutura com começo, meio e fim, a Carta deve ser compreendida como o cumprimento de um dever: uma vez que Caminha era escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, estava ele incumbido de dar informações ao rei D. Manuel sobre a descoberta do Brasil. Entretanto, a crítica literária assinala que Caminha imprimiu às frases que compõem a Carta todo seu entusiasmo e admiração em relação às novidades encontradas na nova terra.
Monumento em homenagem ao Pe. José
de Anchieta em Ubatuba - SP
2. José de Anchieta, apesar de muito doente, desenvolveu expressivo trabalho no Brasil. Sua produção, vigorosa, compreende poesias, um poema elegíaco denominado De Beata Virgine Dei Matre Maria, um poema em homenagem ao governador Mem de Sá, e obras em prosa, sob o título de Cartas, Informações, Fragmentos Históricos e Sermões de José de Anchieta, além de A Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil.

3. Manuel da Nóbrega escreveu Cartas do Brasil e Diálogo Sobre a Conversão do Gentio.

Além desses, ainda há os seguintes nomes: Fernão Cardim, Leonardo Nunes e João de Aspilcueta Navarro. Entretanto, não são grandes destaques do ponto de vista literário.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Literatura: Exercícios Sobre a Lírica de Camões (Parte 3)

Depois de ler os sonetos abaixo, identifique e analise as características camonianas neles existentes.

1
Amor é fogo que arde sem se ver;
é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer.

É um querer mais que bem-querer;
é solitário andar por entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é cuidar que se ganha em se perder.

É um estar-se preso por vontade,
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode o seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

_______________________________

2
Busque Amor novas artes, novo engenho
pera matar-me, e novas esquivanças,
que não me pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças,
que não temo contrastes nem mudanças
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;

que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei por quê.